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CURIOSIDADES
SOBRE ANIMAIS SILVESTRES
ÍNDICE:
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Você já ouviu falar em fazenda de papagaios?
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Tráfico: Apenas "tráfico",
"tráfico ilegal", "tráfico legal"...
?
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Triste Natal
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Já ouviu falar em "Risca Faca"?
>>
"Abstinência"
>>
Cera depilatória
>>
Caça a silvestres
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Cargas vivas
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O

Você
já ouviu falar em "Fazenda de Papagaios"?
Isso mesmo, Fazenda de Papagaios!
Devido à intensidade do tráfico de animais, principalmente
de psitacídeos, estas fazendas foram criadas.
Um casal de papagaios vive a vida inteira junto, não se separa;
a separação só ocorre quando há a morte
de um deles, caso contrário viverão por mais de SETENTA/OITENTA
anos juntinhos, em fidelidade total.
Quando um casal escolhe o seu ninho para reprodução, o
ninho escolhido também tende a ser para o resto da vida, salvo
se o mesmo for destruído. O homem, observando e usando sua inteligência
e "racionalidade" em prol do mal, aprendeu que um casal choca
seus ovos todos os anos no mesmo ninho.
Em posse desta descoberta, por que destruir o ninho? Afinal aquele casal,
aquele ninho, serão fonte de renda por muitos anos... bastando
para isso o apanhador/traficante de filhotes realizar um mapeamento
de ninhos em determinada região e, em época de reprodução
daquela espécie, observar o período de incubação
e nascimento dos filhotes. Depois é só retirar os mesmos
dos ninhos e aguardar a próxima "safra".
Mamãe e papai papagaios servem apenas de máquina reprodutora
de filhotes, para servir à GANÂNCIA DE GENTE INESCRUPULOSA.
Jamais poderão ver seus filhotes crescerem.
É desta forma que são criadas as Fazendas de Papagaios,
onde traficantes detém a "propriedade" sobre ninhos
desta ave, bastando todo ano só se dar ao trabalho de tirar os
filhotes e vender.
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O
Tráfico:
Apenas "tráfico", "tráfico ilegal",
"tráfico legal"... ?
Para nós, certos de que o tráfico é sempre ilícito,
soa no mínimo estranho o termo "tráfico ilegal".
Porém cabe um esclarecimento até mesmo a título
de curiosidade.
Colaboração
de Veridiana Carrili de Paiva, advogada
Assim como
a expressão "meio ambiente" (largamente
utilizada, tanto pela sociedade brasileira, como pela legislação
e técnicos, superando a utilização da expressão
na ecologia) é redundante e contém um pleonasmo, porque
"meio" e "ambiente" são sinônimos,
a expressão "tráfico ilegal"
ou "ilícito" [=antijurídico ou contrário
ao Direito], é também utilizada como uma forma de reforçar
seu sentido, seu significado, tal qual a expressão "meio
ambiente".
Tomemos
como exemplo a expressão “tráfico ilícito
de entorpecentes” citada na lei nº 8.072/90, que dispõe
sobre os crimes hediondos. Sob o aspecto da análise sintática
(dicionário), tráfico é comércio, negócio;
negócio indecoroso. Já sob o aspecto jurídico,
tráfico é considerado crime, pois para que exista o crime
é necessário que haja um fato típico (o que há)
e antijurídico (o que é). Para aplicação
da pena, porém, é necessário que o fato, além
de típico e antijurídico, seja também culpável,
isto é, reprovável. [A pena está condicionada à
culpabilidade, que é a reprovação do agente pela
contradição entre sua vontade e a vontade da lei.]
O fato
típico é composto pela conduta (ação ou
omissão), pelo resultado (inerente à maioria dos crimes),
pela relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado
(relação de causalidade) e também pela tipicidade.
[Tipicidade = estar descrito no tipo penal, no artigo da lei.]
A lei
nº 9.605/98 em seu artigo 29, parágrafo 1º, inciso
II, ao dispor que:
incorre
em pena quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire,
guarda, tem em cativeiro ou depósito, (...) ou espécimes
da fauna brasileira (...) provenientes de criadouros não
autorizados ou sem a devida permissão,
licença ou autorização da autoridade competente
refere-se
ao tráfico, tipifica o tráfico. Já numa análise
dura e crua, aqueles que vendem,
expõem à venda, exportam ou adquirem, guardam, têm
em cativeiro ou depósito, (...) ou espécimes da fauna
brasileira (...) provenientes de criadouros autorizados ou com a devida
permissão, licença ou autorização da autoridade
competente, não praticam tráfico, ou seja, não
praticam nenhuma atividade ilegal.
Assim,
conforme considerações acima, podemos concluir que não
está errada a utilização da expressão, apesar
de duro de ouvir, “tráfico ilegal”. Isto não
quer dizer que também não estejamos certos. Afinal, desde
quando tráfico, juridicamente falando, é legal?
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O
Triste
Natal
Ao longo dos vários anos de trabalho da SOS Fauna levantando
informações sobre o tráfico de animais silvestres
descobrimos que há dois dias no ano preferidos pelos
traficantes de animais para circular com estas vidas pelas estradas
do nosso país: a véspera de Natal e a véspera do
Ano Novo.
Neste momento em que estou escrevendo estas linhas - já passa
das onze da noite do dia 23 de dezembro de 2003 - neste exato momento,
muitas vidas estão sendo encaixotadas, preparadas para, dentro
de uma carga de caminhão ou no porta-malas de um ônibus,
ganhar as estradas rumo aos grandes centros urbanos do país.
Deixaram as florestas para NUNCA MAIS VOLTAR, vítimas da ganância
humana, agora serão mercadorias.
E nesta época do ano em que em muitas regiões do Brasil
é tempo de acasalamento e reprodução, certamente
milhares de mães foram, estão sendo e serão capturadas.
Os filhotes morrerão, de FOME, na natureza.
O amanhecer na caatinga será mais pobre sem os galos-de-campina,
sem os corrupiões, sem os azulões. No cerrado não
será diferente, pássaros pretos que cantariam na manhã
seguinte não cantarão mais, milhares de vozes do sertão
se calam...
E é em época de Natal, onde se comemora o nascimento de
Cristo, que os homens acentuam suas agressões à Mãe
Natureza.

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OO
Já
ouviu falar em "Risca Faca"?
Na periferia
de São Paulo, em locais sinistros, nas noites de fins de semana,
milhares de aves, distribuídas em milhares de botecos (os Risca
Faca), passam mais de dois ou três dias acordadas, cheirando fumaça
de cigarro, álcool, passando frio, "assistindo" a partidas
de sinuca e ouvindo gritos das mesas de baralho... Onde o jogo vara
a noite elas não podem dormir, pior, além de estarem privadas
de liberdade, acasalamento, ainda são privadas de movimento,
pois uma ave em gaiola não voa. Na natureza o que mais faz é
voar, na gaiola só pula para lá e para cá, minutos,
horas, dias, semanas, anos, esperando seu fim chegar.
Aquele
galo-de-campina que cantava alegremente na caatinga, já não
canta mais, o pássaro-preto do cerrado também não,
os biomas vão perdendo esta música, este canto...
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O
"Abstinência"
Algumas
aves recebem de seus "proprietários" sementes de cânhamo
(maconha) que, segundo alguns, deixa o pássaro mais "fogoso",
"cantador", isso acaba valorizando a ave no meio do comércio
entre consumidores finais.
Alguns
anos atrás acompanhamos um caso de um picharro - Saltator
similis - que precisou ser alimentado novamente com sementes de
cânhamo, veja por que: a pessoa que o mantinha em cativeiro fornecia
as sementes, após apreendida a ave este fornecimento parou, a
ave ficou doente, saíram atrás das sementes para novamente
oferecer ao pássaro, que, após algumas horas, melhorou
da água para o vinho.
"Crise
de abstinência", segundo o veterinário que a tratou.
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O
Cera
depilatória
A captura
de algumas espécies de aves um tempo atrás era realizada
com visgo (cola pegajosa de longo tempo de secagem, extraída
de árvores como a jaqueira e seringueira) aplicada aos poleiros/galhos
em que as aves habitualmente pousam, em certos locais conhecidos do
apanhador e que ele sevou com alimento. Pois agora o visgo foi substituído
por cera depilatória e também pela cola de sapateiro.
Como o
poder de aderência da cera é muito grande, muitas aves
permanecem presas ali por horas, até que o apanhador vá
buscá-las. Algumas estão mortas, outras presas pelos pés
e asas. As asas são retiradas através do seccionamento
da ponta - ver foto - causando dolorosos ferimentos ao pássaro.
Os pássaros-pretos - Gnorimopsar chopi - têm sido
as maiores vítimas deste método de captura.
 
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O
Caça
a silvestres
Quando
falamos sobre CAÇA DE ANIMAIS SILVESTRES parece que estamos falando
de algo distante, longe, que ocorreu com freqüência em outros
tempos... porém não é bem assim.
No nordeste
ainda se caça animais, em grandes quantidades, e o pior, não
é para saciar a fome, mas pelo simples prazer de saborear uma
carne de caça.
Em vários
municípios é possível comprar as denominadas "ESPINGARDAS
DE SOCA", em feiras ou casas de ferragens. Isso mesmo, no mesmo
lugar onde você vai comprar uma enxada para carpir, também
compra uma espingarda para matar.
Estas espingardas são fabricadas artesanalmente e vendidas às
dezenas, pela bagatela de TRINTA, QUARENTA ou CINQÜENTA reais as
mais sofisticadas, com um desenho que a deixa mais bonita. As munições
e a pólvora também são facilmente encontradas.
O curioso
é que mesmo sendo armas de fogo, PODENDO INCLUSIVE MATAR, são
vendidas livremente, sem documentação alguma e com conhecimento
das autoridades locais.
A caça
com estas espingardas é cruel e impiedosa, mais de CEM chumbinhos
são disparados - por exemplo - em direção a um
bando de Asa-branca - Columba picazuro - (espécie de
pomba silvestre; ave símbolo do sertão nordestino), algumas
são atingidas e morrem, outras que também são atingidas
morrerão mais tarde, no meio da mata. Serão horas e talvez
dias de sofrimento até que o coração da caatinga
recolha estas aves para morar com Deus.
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O
Cargas
vivas
No tráfico
de animais realizado em grandes quantidades, em longas distâncias,
principalmente do Nordeste para o Sudeste e Sul, os animais geralmente
se encontram dentro da carga de caminhões e carretas em número
que dificilmente é inferior a MIL bichos. Ali permanecem com
luzes acesas direto, mesmo durante a noite, para que não parem
de comer. Desta forma as chances de óbito caem violentamente.
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