Todos
os dias milhares de animais silvestres chegam aos grandes centros urbanos
para alimentar um mercado de crueldade e ganância.
Você não vê, mas a degradação à
nossa volta é imensurável. Veja um exemplo de uma única
espécie traficada:
Em
praticamente todos os bairros das periferias de grandes centros urbanos
podemos encontrar grande incidência de aviculturas e casas de
rações. Às vezes mesmo um bairro pequeno chega
a comportar mais de 10 desses estabelecimentos.
Em
nossas pesquisas pudemos constatar que o menor desses estabelecimentos
não vende menos que 120 a 150 kg de semente de girassol por mês
(a maior parte deste alimento é consumida por papagaios vítimas
do tráfico, encontrados nas residências das pessoas).
Cada papagaio
consome uma média de 10 a 15 g de semente de girassol por dia,
ou 300 a 450 g de semente de girassol por mês. Tomando-se como
base uma avícola que vende um mínimo
de 120 kg, certamente temos esse estabelecimento fornecendo alimento
para mais de 250 papagaios.
As projeções,
então, para todos os estabelecimentos do bairro, da cidade, do
Brasil... são assustadoras.
NÚMEROS
DO TRÁFICO

Por
tratar-se esta de uma atividade ilícita, é praticamente
impossível obter dados estatísticos em relação
aos animais silvestres traficados. Temos certeza, porém, que
do volume total apenas uma pequena porcentagem é apreendida;
e destes animais, os que são apreendidos longe das regiões
de captura (o que corresponde à maior parte deles) jamais
retorna aos seus habitats de origem.
Como
cada animal tem seu papel no ecossistema em que habita, o desequilíbrio
causado aos biomas cada vez mais devastados de seus habitantes naturais
é imenso - e uma séria ameaça à
vida na Terra, à nossa vida no planeta.
MORTES
NO TRÁFICO
10
para 1 .
Ou seria
1
para 10 ?
Constantemente
são divulgados dados relativos ao número de animais
que perdem a vida como conseqüência do tráfico.
De acordo com estes dados, de cada DEZ animais retirados
da natureza apenas UM chegaria ao seu destino com
vida.
Não
nos parece realista essa afirmação, uma vez que o animal
silvestre é a moeda do traficante e, portanto,
a perda destas vidas é, em outras palavras, prejuízo
financeiro. Conhecendo a realidade do tráfico de ponta a ponta
através do nosso serviço de inteligência
in loco, podemos afirmar que a taxa de óbitos entre animais
apreendidos do tráfico é muito pequena, na maioria dos
casos inferior a 10%.
Isto,
por outro lado, não significa que o traficante zele pelo bem
estar dos seus bichos. Pelo contrário: as condições
de captura e transporte comprovam a inescrupulosa atitude
dessas pessoas perante a vida dos animais. Alguns mais frágeis
não resistem a estas agressões.
Espaço
reduzido a ponto do animal não poder se virar em seu compartimento,
luzes permanentemente acesas para não haver a queda de metabolismo,
estado de alerta constante, queda de temperatura ambiente costumam
ser as condições enfrentadas pelos animais no transporte
aos grandes centros urbanos, viagens estas que podem durar até
3 dias (veja mais em Meios de transporte).
O
resultado é inevitavelmente stress elevadíssimo.
Os animais tratados no pós apreensão precisam, além
de atendimento imediato de rehidratação e fortalecimento,
ser acondicionados em locais mais adequados e sempre que possível
transferidos para recintos de pouco ruído e trânsito
para restabelecer um certo grau de tranqüilidade ao seu redor.
Nessas condições os animais estarão mais bem
preparados para um novo transporte ao seu destino.
Conheça
mais sobre primeiros socorros a animais apreendidos.

"Infelizmente,
em muitas regiões do Brasil o tráfico de fauna silvestre
impera. Para acabar com o mesmo a dedicação de todos nós
deve ser de sol a sol, incansável. Devemos estar determinados
a extirpar da sociedade esta que é uma das piores modalidades
de crime, um crime contra a Terra, contra a humanidade."
M.
Pavlenco, fundador da SOS FAUNA